Nunca pensei que um dia iria liderar o Giving Tuesday em Portugal

por Rita Coelho Pinto

Na verdade, cruzei-me com o movimento quase por acaso, numa publicação no LinkedIn. Mas ao ler a descrição da função, senti aquele clique raro: a sensação de que tudo o que fiz até aqui — na vida, no trabalho, no voluntariado — me preparou para este momento.

Era a oportunidade perfeita para passar do aconselhamento à implementação, de observar a agir, de apoiar à distância a arregaçar as mangas e fazer acontecer.

Uma educação que me ensinou a olhar para o outro

Cresci numa educação marcadamente católica, em instituições que valorizavam a empatia, o serviço e a responsabilidade social. Desde cedo ganhei o hábito de me pôr no lugar do outro — um exercício simples, mas transformador, que moldou a forma como vejo o mundo e como escolho estar nele.

Mais tarde, quando fui mãe, fiz um interregno natural na carreira. Continuei a trabalhar como freelancer, mas foi sobretudo nesse período que me envolvi profundamente no movimento das Famílias SOS, da Paróquia do Estoril. Aí, entre cabazes, visitas, campanhas e conversas, percebi que a solidariedade não é um gesto — é uma prática contínua, uma forma de vida.

A comunicação como ferramenta de impacto

Mesmo no meu trabalho em comunicação, nunca deixei de trazer a área social para o meu campo de ação. Colaborei com a Plataforma de Apoio aos Refugiados, com o projeto D’Art, o PIN, a SIC Esperança e várias outras iniciativas que me permitiram usar a comunicação como ferramenta agregadora e de impacto real.

Em 2021, decidi aprofundar esse compromisso e frequentei o curso de Liderança Social para Gestores da Nova SBE. Foi um ponto de viragem. Saí de lá com uma convicção reforçada: o impacto social não acontece por acaso — constrói-se. E constrói-se melhor quando juntamos competências, redes e propósito.

Desde então, passei também a integrar conselhos consultivos de IPSS como a Barragem, o Cadin e, mais recentemente, a SEMEAR — organizações que admiro profundamente e que me ensinaram muito sobre resiliência, propósito e gestão com alma.

O encontro com o Giving Tuesday

Quando encontrei a oportunidade de liderar o Giving Tuesday Portugal, percebi que era um passo natural.

O Giving Tuesday é um movimento global de generosidade, presente em mais de 90 países, que nasceu para inspirar pessoas, empresas e comunidades a fazer o bem — não apenas num dia, mas todos os dias. É uma celebração da solidariedade em todas as suas formas: dar tempo, talento, recursos, atenção, voz, cuidado.

É, no fundo, um convite simples: num mundo que tantas vezes nos puxa para dentro, o Giving Tuesday lembra-nos de olhar para fora.

O que quero construir em Portugal

O que me move nesta missão é a possibilidade de criar pontes — entre empresas e instituições sociais, entre voluntários e causas, entre quem quer ajudar e quem precisa de apoio.

O Giving Tuesday Portugal pode ser exatamente isso: um ponto de encontro, um acelerador de impacto, um espaço onde todos cabem.

Quero trabalhar com esta equipa extraordinária de voluntários para dar visibilidade às instituições sociais, especialmente às mais pequenas; aproximar empresas e organizações em parcerias de valor mútuo; mobilizar cidadãos que querem agir mas ainda não encontraram o seu caminho; e reforçar a cultura de generosidade em Portugal, tornando-a parte do nosso quotidiano.

A generosidade é contagiosa. Quando alguém dá, outro alguém inspira-se a dar também.

O meu compromisso é honrar o propósito do Giving Tuesday e contribuir para um país mais solidário, mais consciente e mais conectado.

Se chegou até aqui, deixo-lhe um convite: junte-se a nós. Traga a sua causa, o seu talento, o seu tempo — ou simplesmente a sua vontade de fazer parte de algo maior.

O Giving Tuesday Portugal é de todos. E só faz sentido com todos.

Contacto: [email protected]