Gandhi disse “Sê a mudança que queres ver no mundo”. Esta é a frase com a qual eu me identifico e que é um dos meus lemas de vida.
Enquanto hipnoterapeuta observo que temos uma sociedade tendencialmente individualista, podendo provocar uma sensação de solidão e vazio. O acto de pedir ajuda torna-se assim mais difícil.
Desde cedo aprendemos que devemos “aguentar firmes”, a resolver os nossos problemas sozinhos e a não depender de ninguém. Esta visão pode intensificar o medo de pedir ajuda, independentemente da responsabilidade individual que cada um tem na sua própria jornada. A verdade é que precisamos uns dos outros.
Pedir ajuda não é fraqueza. É coragem. É reconhecer que somos seres interdependentes, feitos para viver em comunidade, onde dar e receber fazem parte do mesmo movimento e só desta forma podemos evoluir em conjunto.
Pedir ajuda não é somente um ato de vulnerabilidade, mas sim também, uma atitude corajosa em admitir que temos limites. Reconhecendo que não podemos fazer tudo sozinhos e que por isso precisamos uns dos outros.
Assumir perante alguém que estamos em dificuldade não nos diminui. Pelo contrário, fortalece-nos porque nos conecta com a rede de apoio que o outro pode oferecer. Pedir ajuda abre portas a soluções que talvez sozinhos não conseguíssemos alcançar, seja na saúde mental, ou em qualquer outra área da nossa vida.
O acto de dar promove bem-estar profundo, sentimento de gratidão e de propósito. Há estudos que explicam a habilidade de sentir e expressar a gratidão representa um aspeto vital para a saúde emocional e mental dos indivíduos. Nesse sentido, desenvolver a capacidade de dar e receber, ajuda a exercitar atitudes mais positivas, contribuindo para relacionamentos mais saudáveis e felizes.
E o simples acto de dar pode apenas ser um sorriso, um “Bom dia”, ou um “Precisa de ajuda?”, ou até a doação do seu tempo para escutar alguém, oferecendo um espaço seguro e sem julgamento, numa presença real.
Os benefícios do acto de dar não só desenvolve o altruísmo de quem dá, como também oferece a possibilidade do outro exercer a troca. Recusar por orgulho ou medo de incomodar, quebra a corrente natural da solidariedade. Assim, aceitar é também um ato de amor e de reconhecimento.
Da minha experiência, testemunho que também eu desde jovem fui educada para a importância de ajudar o outro. Fosse oferecer ou a receber roupa em segunda mão, quando havia menos possibilidades económicas, fosse a fazer voluntariado em várias associações e instituições.
Atualmente, ajudo associações de cuidados animais, quer monetariamente, quer na minha presença ativa em projetos de esterilização de gatos de rua.
Podemos imaginar a solidariedade como uma roda em movimento. De um lado está o ato de dar, do outro o ato de receber. Para que a roda continue a girar é preciso que ambos os movimentos aconteçam. É fundamental que a educação das gerações mais novas tenha em consideração a importância desta roda, para que não nos esqueçamos que vivermos numa sociedade em que o velho lema seja “cada um por si” pode destruir-nos.
Se alguém apenas dá e nunca recebe, ou apenas recebe e nunca dá, há desequilíbrio. A verdadeira força surge no equilíbrio: ora ajudando, ora sermos ajudados. Este ciclo quando respeitado cria comunidades mais fortes, compassivas, positivas e saudáveis.
Soraia Monte
Licenciada em Psicologia e Hipnoterapeuta Transpessoal.